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IX Seminário do Projeto Integralidade: Ética, Técnica e Formação no âmbito da Integralidade em debate

altÉtica, Técnica e Formação na Integralidade em Saúde: as razões do cuidado como direito. Esse será o tema do IX Seminário do Projeto Integralidade, que será realizado entre os dias 25 e 27 de novembro de 2009. O evento promete algumas novidades para este ano, como a inclusão do II Encontro Regional do Movimento Anti-utilitarista do Rio de Janeiro e a nova metodologia do Ateliê do Cuidado.

O Auditório 11 (1º  andar) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) abrigará novamente o Seminário. Roseni Pinheiro, coordenadora do Lappis e do evento, ao lado de Tatiana Coelho Lopes e Maria do Carmo Macedo, afirmou que a escolha de “ética, técnica e formação” como eixos temáticos se deu ao perceber que as questões atuais candentes na discussão sobre o cuidado produziam transversalidades importantes no plano desses temas, provenientes do tensionamento entre razão e racionalidade na saúde.

“Acredito que estamos vivendo em uma sociedade que passa por um processo civilizatório de altíssima densidade tecnológica, onde o progresso cientifico, no contexto de um Estado de direito, como o estado brasileiro, tem evidenciado incompreensões e desencontros importantes entre práticas e modelos. A incorporação tecnológica no cotidiano no mundo da vida, apresenta desafios éticos políticos importantes para o cumprimento do direito à saúde”, explica. “Sentimos-nos convocados a problematizar as responsabilidades das instituições médicas, pegando o conceito de Madel Luz, no que diz respeito ao reconhecimento dos valores éticos que estão guiando a formação e a técnica. Esse assunto, carece de atenção de nossa parte como pesquisadores de experiências de integralidade, pois a efetivação do principio pode estar sendo  ameaçado ou reduzido a grupos de interesses, sobretudo economicos”.

altPara a coordenadora, a inclusão do II Encontro Regional do Movimento Anti-utilitarista do Rio de Janeiro no dia anterior (24 de novembro) à abertura do Seminário nesse contexto é uma iniciativa “muito importante e mobilizadora”. O evento será realizado na forma de “ágora” de debates sobre as questões sobre a responsabilidade coletiva, a produção do conhecimento, o papel da universidade e o grande valor da extensão para superar as fronteiras entre mercado e ciência. O Lappis participou do primeiro encontro desse movimento, realizado em Recife, com apoio do Jornal do MAUSS.

O Movimento Anti-utilitarista conta com importantes pesquisadores em âmbito nacional e internacional envolvidos nesse movimento que inclui economia, direito, educação, filosofia, psicologia, entre outras disciplinas. Tatiana Coelho Lopes, doutoranda do IMS e também coordenadora do Seminário, acredita que o tema tenha “tudo a ver com a Integralidade”. “Pensamos que a saúde não seja uma apenas uma utilidade, mas sim um direito, realizado com solidariedade, compromisso, responsabilidade. Isso só vem a acrescentar, uma vez que o Lappis vem trabalhando com perspectivas multidisciplinares e intersetoriais – Direito à Saúde, por exemplo”.

A efetivação do direito à saúde requer responsabilidade e espaços de debates, o papel da medicina, o complexo médico industrial, entre outros, que as coordenadoras acreditam ser desafios que necessitam de um amplo debate para enfrentá-los. “Mais que isso, requer leituras mais compreensivas, criativas, não menos críticas, mas desconstrucionista em nossas abordagens cientificas”, complemente Roseni Pinheiro, que encerra citando um trecho do livro “Compreender”, de Hannah Arendt, para expressar sua preocupação: “Somente a imaginação permite que enxerguemos as coisas em sua perspectiva adequada, que tenhamos forças suficientes para afastar o que está demasiado próximo, a fim de conseguir ver e compreender sem distorções nem preconceitos, que tenhamos generosidade suficiente para transpor abismos de lonjuras, a fim de conseguir ver e compreender, como se fosse uma questão pessoal nossa, tudo o que esta demasiado distante de nós”.
 

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