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Abrascão 2015 tem início em Goiânia

Cinco mil pesquisadores se reúnem para debater sobre saúde, desenvolvimento e democracia no SUS

 

abrascao15 mesa direitos humanos4A abertura do 11o Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva aconteceu na noite do dia 28 de julho, na Universidade Federal de Goiás, após dois dias intensos de oficinas e reuniões dos grupos temáticos da Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco. No segundo dia do Abrascão, a participação de pesquisadores do Lappis começou na mesa Direitos humanos e desafios do SUS universal: população encarcerada, indígenas, população em situação de rua, migrantes, que teve a apresentação de Leny Trad (ISC/UFBA) sobre as perspectivas teóricas do reconhecimento a partir dos referenciais de Axel Honneth e Nancy Fraser.

abrascao15 mesa direitos humanos6A mesa, proposta pela Comissão de Ciências Sociais e Humanas em Saúde, foi coordenada por Luis Eduardo Batista (SES-SP e EEUSP) e contou com a exposição de Paulo Artur Malvasi (Cebrap), Lucia Maria Xavier de Castro (Ong Criola) e Cassio Silveira (Unifesp). As falas abordaram o contexto atual brasileiro com o acirramento de discursos discriminatórios e de ódio e o quanto essa discussão é necessária na Saúde Coletiva, a violação dos direitos humanos a grupos vulneráveis ou pessoas não integradas e a importância de ampliação de estudos e intervenções nesse âmbito. Também foi abordada a situação dos imigrantes no Brasil e a complexidade de questões a serem consideradas na garantia de uma saúde universal.

O encerramento das atividades do dia aconteceu com o debate Saúde da População Brasileira, tendo como debatedores a pesquisadora associada do Lappis e professora aposentada da UERJ, Madel Luz (UFF e UFRGS), e os professores Cesar Victora (UFPel) e Jairnilson Paim (ISC/UFBA).

As diferenças no perfil epidemiológico de mães e bebês nos últimos 30 anos foi a base da pesquisa realizada por Cesar Victora em Pelotas – RS, que destacou quatro problemas de saúde na atualidade: mortalidade materna, alto número de cesarianas, prematuridade e obesidade infantil. Apesar das mulheres de 2015 terem maior renda, escolaridade, serem mais altas e pesadas, os bebês tem menor peso ao nascer e há mais prematuros, o que evidencia a epidemia de cesarianas no período, com aumento de mais de 40 pontos percentuais.

A construção politicamente engajada do campo da saúde coletiva no Brasil foi lembrada por Jairnilson Paim. O pesquisador ressaltou os avanços da saúde pública no país e apresentou as perdas do SUS, caracterizadas como mercantilização da saúde. Para ele, embora o Estado adote o sistema universal de saúde, não garante politicamente essa realidade, o que demonstra com exemplos sobre o financiamento e estrutura tributária. Ao final, Paim convoca a defesa a ameaças recentes contra o SUS com a participação democrática na 15a Conferência Nacional de Saúde.

Os tempos de crise e o adoecimento da sociedade foram o tema da fala de Madel Luz, que apresentou as consequências para a saúde coletiva a partir da questão do trabalho, a perda de vínculos sociais (isolamento/depressão), deterioração da ética na estrutura política e na sociedade. Na apresentação da professora, “um adoecer social se revela através de reações coletivas de insegurança, desconfiança e agressividade mútua dos cidadãos: patologias ligadas à situações de estresse, como medo, ansiedade e angústia aumentam, assim como condutas reativas  ligadas ao comportamento privado, em família, ou público, agravando a violência característica de centros urbanos e hiperdimensionando valores antissociais  já presentes, como discriminações de raça, gênero, classe social e em relação a migrantes”.

Para Luz, atualmente, defender valores solidários ao invés de valores individualistas requer um certo grau de heroísmo para resistir à pressão capitalista. E esses valores solidários são os essenciais na defesa da universalidade pelos profissionais de saúde do SUS.

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