{"id":263,"date":"2011-09-05T14:52:01","date_gmt":"2011-09-05T17:52:01","guid":{"rendered":"http:\/\/lappis.org.br\/site\/2011\/09\/05\/a-importancia-do-dialogo-os-desafios-das-racionalidades-medicas-para-a-clinica-e-a-promocao-da-saude-entrevista-com-madel-t-luz\/"},"modified":"2018-03-07T02:03:39","modified_gmt":"2018-03-07T05:03:39","slug":"a-importancia-do-dialogo-os-desafios-das-racionalidades-medicas-para-a-clinica-e-a-promocao-da-saude-entrevista-com-madel-t-luz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lappis.org.br\/site\/a-importancia-do-dialogo-os-desafios-das-racionalidades-medicas-para-a-clinica-e-a-promocao-da-saude-entrevista-com-madel-t-luz\/263","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia do di\u00e1logo: os desafios das Racionalidades M\u00e9dicas para a cl\u00ednica e a promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade &#8211; Entrevista com Madel T. Luz"},"content":{"rendered":"<p class=\"MsoNormal\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"262\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/a-importancia-do-dialogo-os-desafios-das-racionalidades-medicas-para-a-clinica-e-a-promocao-da-saude-entrevista-com-madel-t-luz\/263\/attachment-madel_x_sem\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem.jpg\" data-orig-size=\"450,338\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;4.4&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;DSC-H3&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1255323845&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;63&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;1600&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.04&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"madel_x_sem\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem-300x225.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem.jpg\" class=\" alignleft size-full wp-image-262\" style=\"float: left; width: 250px; height: 188px; margin: 5px;\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem.jpg\" alt=\"madel_x_sem\" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem.jpg 450w, https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/>O <b>BoletIN<\/b> entrevistou, com exclusividade, a Professora \u00a0Madel Therezinha Luz (IMS\/UERJ). Soci\u00f3loga, pesquisadora, autora entre muitos outros t\u00edtulos de <i>Natural, racional, social<\/i> (ed. Campus), <i>A arte de curar versus a ci\u00eancia das doen\u00e7as<\/i> (ed. Dynamis) e <i>O lugar da mulher<\/i> (ed. Paz e Terra), a dra. Madel Luz fundou o grupo Racionalidades M\u00e9dicas, nos anos 1990, abrangendo compara\u00e7\u00f5es de sistemas m\u00e9dicos complexos (Medicina Ocidental ou Biomedicina, Homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa, Ayurveda) tanto em n\u00edvel te\u00f3rico (ci\u00eancias humanas) como pr\u00e1tico (m\u00e9dico terap\u00eautico, ou diagn\u00f3stico).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Vale\u00a0lembrar que o Laborat\u00f3rio de Pesquisas sobre Pr\u00e1ticas de Integralidade em Sa\u00fade (Lappis) surgiu como um desdobramento das linhas de pesquisa do grupo, em 2000. Ela estar\u00e1 no XI Semin\u00e1rio do Projeto Integralidade, coordenando a mesa \u201c<b>Racionalidades m\u00e9dicas e pr\u00e1ticas de sa\u00fade: desafios para a cl\u00ednica e a promo\u00e7\u00e3o em sa\u00fade na integralidade do cuidado\u201d<\/b>,<b> <\/b>que ser\u00e1 realizada em 13 de setembro, das 13h30 \u00e0s 17h. Nessa mesa redonda, participam tamb\u00e9m Gustavo Couto (Secret\u00e1rio Municipal de Sa\u00fade de Recife), Alda Lacerda (EPSJV\/Fiocruz), Leandro David (Ucis Guilherme Abath\/SMS-Recife) e Cesar Favoreto (FM-UERJ).<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u201cAcredito que a Roseni (<em>Pinheiro, coordenadora do Lappis e idealizadora do Semin\u00e1rio<\/em>) \u00e9 uma pessoa muito corajosa na abordagem pr\u00e1tica dos campos dos saberes, que leva em considera\u00e7\u00e3o a quest\u00e3o do que \u00e9 produzido dentro da universidade e, ao mesmo tempo, o que pode ser ouvido do cidad\u00e3o e dos usu\u00e1rios e como isso pode ser colocado na micropol\u00edtica atrav\u00e9s do contato com gestores, gerentes, profissionais. Isso \u00e9 um avan\u00e7o dentro da Sa\u00fade Coletiva\u201d, disse. \u201cQuando percebemos que \u00e9 poss\u00edvel deslocar esse grupo, e produzir frutos em outros lugares, estamos fazendo avan\u00e7ar um modelo inovador. O grupo Integralidade foi um desdobramento, um broto do grupo Racionalidades M\u00e9dicas. Broto que virou uma arvore, e agora est\u00e1 virando um bosque, uma floresta&#8230;\u201d<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>BoletIN: Quais s\u00e3o os desafios que as racionalidades m\u00e9dicas t\u00eam colocado para a cl\u00ednica biom\u00e9dica, tradicional?<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>Madel T. Luz<\/b>: Quando pensamos nesses desafios, entramos em dois caminhos: na quest\u00e3o da efic\u00e1cia do procedimento e na quest\u00e3o do cuidado. As distintas racionalidades m\u00e9dicas (Medicina Chinesa, Ayurveda, Atropos\u00f3fica, Homeopatia&#8230;). Desafios importantes s\u00e3o aqueles relativos a conseguir dar conta das quest\u00f5es que a demanda atual da cl\u00ednica coloca. Essas quest\u00f5es envolvem a rela\u00e7\u00e3o paciente-terapeuta, ou m\u00e9dico-paciente e de como isso acontece, se leva ou n\u00e3o a um resultado. Em primeiro lugar, n\u00e3o existe mais esse encontro paciente-m\u00e9dico. Al\u00e9m disso, as demandas que s\u00e3o colocadas em rela\u00e7\u00e3o ao cuidado hoje s\u00e3o relativas a um conjunto de transtornos, disfun\u00e7\u00f5es que est\u00e3o ligadas \u00e0s situa\u00e7\u00f5es atuais da popula\u00e7\u00e3o, seja relativa ao trabalho, \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de vida, \u00e0 idade, ao envelhecimento, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o. Esse tipo de adoecimento \u00e9, por ele mesmo, desafiador.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Tenho a impress\u00e3o que a cl\u00ednica tradicional n\u00e3o responde a essas quest\u00f5es, at\u00e9 pela ideia de que as outras racionalidades respondem: o encontro entre paciente e terapeuta\/m\u00e9dico, o olhar para o paciente como um sujeito e, portanto, ter como objetivo da sua interven\u00e7\u00e3o o cuidado daquela pessoa, a quest\u00e3o da integralidade, no sentido de ver todas as dimens\u00f5es do sujeito, o contexto dele, a situa\u00e7\u00e3o que ele vive, e n\u00e3o apenas uma patologia ou uma les\u00e3o. Acredito que o primeiro desafio seja esse: que quest\u00f5es essas racionalidades, que v\u00eaem todas essas dimens\u00f5es no cuidado do ser humano, s\u00e3o colocadas para a biomedicina, para a cl\u00ednica tradicional. Como elas n\u00e3o se colocam essas quest\u00f5es, est\u00e3o ficando em um n\u00edvel cada vez mais dif\u00edcil de responder \u00e0s quest\u00f5es de sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o como um todo.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>BoletIN: E os desafios que se colocam especificamente para as Racionalidades M\u00e9dicas?<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>Madel<\/b>: Coloca-se, primeiramente, o desafio da legitima\u00e7\u00e3o institucional. Podemos argumentar que j\u00e1 existe o PNI, que j\u00e1 tem um plano nacional de integra\u00e7\u00e3o das pr\u00e1ticas complementares, que tem as experi\u00eancias de integra\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas. Mas h\u00e1 um problema que se apresenta no plano paradigm\u00e1tico: a inser\u00e7\u00e3o dentro do SUS de aspectos fragmentados dessas racionalidades m\u00e9dicas, como a Acupuntura sob uma vis\u00e3o extremamente reducionista, massagens, homeopatia de \u201c15 minutos\u201d, esse tipo de absor\u00e7\u00e3o pelo sistema dessas racionalidades, sem oferecer a elas a chance de existirem realmente no seu paradigma, \u00e9 uma forma de fagocita\u00e7\u00e3o dessas pr\u00e1ticas. O sistema, por n\u00e3o ter resposta terap\u00eautica para as quest\u00f5es que se colocam, se apropria quase ortopedicamente, e coloca fragmentos de pr\u00e1ticas de outras racionalidades. Como resolveremos essa quest\u00e3o da legitima\u00e7\u00e3o da totalidade paradigm\u00e1tica? \u00c9 poss\u00edvel a conviv\u00eancia dos dois paradigmas? A conviv\u00eancia justaposta lado a lado \u00e9 poss\u00edvel, sim. Agora, ser\u00e1 poss\u00edvel uma interlocu\u00e7\u00e3o paradigm\u00e1tica? Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel porque o paradigma hegem\u00f4nico se considera verdadeiro. Se, em dois sistemas de conhecimento, um se considera verdadeiro, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o di\u00e1logo com o outro, ou h\u00e1?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">As racionalidades de paradigma hol\u00edstico e vitalista tem pela frente o grande desafio de co-habitarem\/partilharem as suas distintas perspectivas de vis\u00e3o e diagnose, de tratamento do ser humano. Podem se afirmar como saberes que se dirigem a um ser vivo como um todo, e que est\u00e3o centradas na ideia de vida. A sa\u00fade \u00e9 uma consequ\u00eancia da vida, n\u00e3o a aus\u00eancia de doen\u00e7a ou determinados par\u00e2metros de normalidade. \u00c9 necess\u00e1rio que esses paradigmas comecem tamb\u00e9m uma forma de di\u00e1logo. As pessoas j\u00e1 fazem isso: buscam alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, praticam yoga, tai-chi-chuan, se tratam com homeopatia&#8230;fazem um microsincretismo vitalista, mas que n\u00e3o \u201cofende\u201d. O paradigma \u00e9 o mesmo. Essa circula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 existe entre os profissionais: um homeopata que faz acupuntura, um acupunturista que trabalha com yoga. Vejo isso bastante entre os profissionais. Acredito que o caminho seja esse: as racionalidades se identificando como saberes que partilham do mesmo paradigma, e de que forma isso pode vir a ser uma proposta que acrescente inclusive a biomedicina, expandindo esses paradigmas. Por que criar dualidades o tempo inteiro?<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>BoletIN: Charles Dalcanale Tesser, em seu artigo, \u201c<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/csp\/v25n8\/09.pdf\">Pr\u00e1ticas complementares, racionalidades m\u00e9dicas e promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade: contribui\u00e7\u00f5es poucos exploradas<\/a>\u201d (Cad. De Sa\u00fade P\u00fablica) diz que as \u201cdificuldades (&#8230;) afligem mais os profissionais de sa\u00fade, cientistas e intelectuais do que os usu\u00e1rios e doentes, os quais, em geral, transitam sincreticamente pelos saberes, pr\u00e1ticas, concep\u00e7\u00f5es e valores das v\u00e1rias medicinas e t\u00e9cnicas sem problemas relevantes, percorrendo diferentes itiner\u00e1rios terap\u00eauticos e, porque n\u00e3o dizer, promotores de sa\u00fade, quando a eles t\u00eam acesso\u201d.\u00a0H\u00e1 uma maior resist\u00eancia dos profissionais ou dos gestores? <\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>Madel<\/b>: N\u00e3o acredito que a rsist\u00eancia parta especificamente dos profissionais. Acontece no campo da gest\u00e3o e nas corpora\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 \u201ceste\u201d terapeuta ou \u201caquele\u201d profissional, \u00e9 a ordem das corpora\u00e7\u00f5es e a mentalidade dos gestores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pol\u00edtica, que n\u00e3o \u00e9 isenta de preconceitos. Essa n\u00e3o isen\u00e7\u00e3o \u00e9 muito grave, pois um gestor se v\u00ea no direito de impedir que uma pr\u00e1tica, que \u00e9 parte da pol\u00edtica de sa\u00fade, seja implementada da maneira como foi aceita dentro do sistema. Um gestor pode decidir que s\u00f3 m\u00e9dico pode praticar acupuntura nos servi\u00e7os, quando isso \u00e9 multiprofissional, pela decis\u00e3o normativa. Isso tem acontecido com bastante freq\u00fc\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">\u00c9 uma quest\u00e3o de di\u00e1logo que se torna imposs\u00edvel devido \u00e0 natureza corporativa dos saberes e \u00e0 natureza partid\u00e1ria de certos pol\u00edticos\/gestores na \u00e1rea da sa\u00fade. Uma vez tornando-se evidente essas quest\u00f5es para a sociedade, h\u00e1 mais possibilidade de ser resolvidas atrav\u00e9s do di\u00e1logo. As quest\u00f5es de separa\u00e7\u00e3o entre esse e aquele saber, este \u00e9 verdadeiro, aquele n\u00e3o \u00e9, n\u00e3o passa na cabe\u00e7a do usu\u00e1rio. Os usu\u00e1rios v\u00e3o onde acreditam que vai fazer bem a eles. N\u00e3o importa se \u00e9 no terreiro de Umbanda, se \u00e9 no servi\u00e7o de sa\u00fade mais tecnol\u00f3gico poss\u00edvel, ou se vai para um doutor humanista, ou homeopata. Mas n\u00e3o vamos ser partid\u00e1rios: um m\u00e9dico de forma\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m pode ser um grande humanista. Isso depende dos contextos de dialogia: se esses contextos forem abertos, \u00e9 poss\u00edvel superar uma s\u00e9rie de problemas que nem se colocam no n\u00edvel dos usu\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>BoletIN: Como apontar caminhos para esse di\u00e1logo?<\/b><\/p>\n<p class=\"MsoNormal\"><b>Madel<\/b>: Acredito que existe uma s\u00e9rie de impedimentos para que as decis\u00f5es que j\u00e1 foram tomadas no plano pol\u00edtico fluam nos servi\u00e7os e produzam resultados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, qual seria uma dessas \u201cvias de desbloqueamento\u201d? Penso que seja atrav\u00e9s do ensino e da forma\u00e7\u00e3o de novos profissionais \u2013 n\u00e3o apenas nas faculdades de Medicina, mas tamb\u00e9m de Fisioterapia, Nutri\u00e7\u00e3o&#8230;porque todos dos subcampos das bioci\u00eancias querem seguir o modelo r\u00edgido da biomedicina.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">Ao abrir formas novas de educa\u00e7\u00e3o desses novos profissionais, esses podem chegar a ter uma vis\u00e3o mais interdisciplinar, ou pelo menos multidisciplinar. Isso atenderia inclusive a necessidades pessoais de forma\u00e7\u00e3o. Existem pessoas com voca\u00e7\u00e3o terap\u00eautica, que se desiludem com a faculdade porque n\u00e3o veem nada que os encaminhem para o atendimento e o cuidado do outro, durante o curso. Gera uma situa\u00e7\u00e3o de enorme frustra\u00e7\u00e3o. \u00a0O ideal seria que o ensino favorecesse o contato, desde o in\u00edcio, com a popula\u00e7\u00e3o, mas sem medo. Quando chega ao quarto ou quinto ano (<i>da faculdade de Medicina<\/i>) o estudante tem medo do que vai encontrar, medo do paciente enquanto doen\u00e7a que ele tem que cuidar. \u00c9 preciso perceber isso, que esse aluno pode perder o medo se estiver desde o in\u00edcio em contato com os usu\u00e1rios. Eles tamb\u00e9m devem observar a vida dessas pessoas em sua totalidade.<\/p>\n<p class=\"MsoNormal\">A cl\u00ednica tradicional j\u00e1 fez isso: j\u00e1 existiram m\u00e9dicos de fam\u00edlia antes do plano do PSF. Os m\u00e9dicos tradicionais, at\u00e9 o fim da primeira metade do s\u00e9culo XX, eram DA fam\u00edlia, n\u00e3o DE fam\u00edlia. Seguiam uma fam\u00edlia inteira, todos os membros, durante d\u00e9cadas. Era um setor da classe m\u00e9dia, a burguesia j\u00e1 procurava por m\u00e9dicos especializados. O servi\u00e7o p\u00fablico diferenciado, de emerg\u00eancia, continua do mesmo jeito. A chamada \u201ccrise da sa\u00fade\u201d, com os servi\u00e7os emergenciais entupidos, existe h\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo. Como reverter essa situa\u00e7\u00e3o? Acho que atrav\u00e9s de um outro ensino tamb\u00e9m, que n\u00e3o seja voltado apenas para a quest\u00e3o da especialidade t\u00e9cnica. A\u00ed temos um grande problema: n\u00e3o vejo, a curto ou m\u00e9dio prazo, a bioci\u00eancia cedendo espa\u00e7o para qualquer outra alternativa. Mas, a longo prazo, o espa\u00e7o ter\u00e1 de ser aberto. Ainda existe um terceiro caminho: a biomedicina virar um \u201crepositor de pe\u00e7as\u201d. Como n\u00e3o pode curar, n\u00e3o pode tratar, troca \u201cpe\u00e7as\u201d das pessoas quando as \u201cantigas\u201d deterioram, prometendo vida longa com as novas pe\u00e7as. Mas estaremos ainda falando de seres humanos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p class=\"MsoNormal\"><img decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-262\" alt=\"madel_x_sem\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem.jpg\" style=\"margin-left: 5px; margin-right: 5px; margin-top: 5px; margin-bottom: 5px; float: left; width: 250px; height: 188px; \" width=\"450\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem.jpg 450w, https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2011\/09\/madel_x_sem-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/>O <b>BoletIN<\/b> entrevistou, com exclusividade, a Professora &nbsp;Madel Therezinha Luz (IMS\/UERJ). Soci&oacute;loga, pesquisadora, autora entre muitos outros t&iacute;tulos de <i>Natural, racional, social<\/i> (ed. 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