{"id":1345,"date":"2012-12-03T15:17:37","date_gmt":"2012-12-03T17:17:37","guid":{"rendered":"http:\/\/lappis.org.br\/site\/2012\/12\/03\/a-atencao-primaria-segundo-ligia-giovanella\/"},"modified":"2012-12-03T15:17:37","modified_gmt":"2012-12-03T17:17:37","slug":"a-atencao-primaria-segundo-ligia-giovanella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lappis.org.br\/site\/a-atencao-primaria-segundo-ligia-giovanella\/1345","title":{"rendered":"A Aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria segundo Ligia Giovanella"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1343\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/a-atencao-primaria-segundo-ligia-giovanella\/1345\/attachment-ligia_giovanella-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ligia_Giovanella.jpg\" data-orig-size=\"146,194\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"ligia_Giovanella.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ligia_Giovanella.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ligia_Giovanella.jpg\" class=\" alignleft size-full wp-image-1343\" alt=\"ligia_Giovanella.jpg\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ligia_Giovanella.jpg\" style=\"margin: 5px; float: left; width: 140px; height: 186px;\" width=\"146\" height=\"194\" \/>A entrevista do m&ecirc;s do portal da Rede de Pesquisa em Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de &eacute; com a pesquisadora do Nupes\/ DAPS\/ Ensp\/ Fiocruz, Ligia Giovanella. Nesta edi&ccedil;&atilde;o, o BoletIN reproduz a entrevista com L&iacute;gia, que atualmente &eacute; docente permanente do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de P&uacute;blica da ENSP e realiza est&aacute;gio s&ecirc;nior na Hochschule Fulda, Fachbereich Pflege und Gesundheit (Departamento de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de e da Enfermagem),&nbsp; Alemanha, com apoio da Capes. Confira: <\/p>\n<p> *Publicado originalmente no portal da Rede de Pesquisa em Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de<\/p>\n<p> <strong>Durante o Abrasc&atilde;o 2012 voc&ecirc; ministrou a palestra sobre Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria e Reformas de Sa&uacute;de na Europa em Tempos de Crise. Como muitos integrantes da Rede APS n&atilde;o puderam participar quais foram os principais pontos de sua apresenta&ccedil;&atilde;o?<\/strong><br \/> A palestra apresentou resultados preliminares da pesquisa que estou realizando em parceria com o professor Klaus Stegm&uuml;ller da Universidade de Fulda. A pesquisa tem por objetivo analisar pol&iacute;ticas e sistemas de sa&uacute;de em perspectiva comparada, com foco nos processos de reforma da APS identificando tend&ecirc;ncias dos processos contempor&acirc;neos de reformas em sa&uacute;de em contexto de forte press&atilde;o financeira em pa&iacute;ses europeus que alcan&ccedil;aram a universalidade, tomando tr&ecirc;s casos exemplares: Alemanha, Reino Unido (Inglaterra) e Espanha.&nbsp;<br \/> Iniciei descrevendo o contexto de grave crise financeira e econ&ocirc;mica com o qual se defrontam os Estados nacionais da Uni&atilde;o Europeia. Em seguida trabalhei a caracteriza&ccedil;&atilde;o dos sistemas de sa&uacute;de e da APS nos pa&iacute;ses. E ao final discuti as reformas e seus poss&iacute;veis impactos e consequ&ecirc;ncias para a universalidade. o contexto &eacute; de importante crise econ&ocirc;mica. Com a crise banc&aacute;ria, governos europeus socorreram seu sistema financeiro com fundos p&uacute;blicos, aumentando a d&iacute;vida p&uacute;blica, ao mesmo tempo em que ocorreram eleva&ccedil;&atilde;o e diferencia&ccedil;&atilde;o dos juros pagos pelos diferentes Estados nacionais europeus. Com o aumento dos juros, estas d&iacute;vidas tornaram-se impag&aacute;veis. Na rolagem das d&iacute;vidas de Estados em dificuldades financeiras, pap&eacute;is de cr&eacute;ditos conseguidos com juros baixos passaram a ser prolongados com juros elevados produzindo uma crise de endividamento p&uacute;blico em diversos estados nacionais, como Portugal, Gr&eacute;cia, Irlanda e Espanha.&nbsp; Todavia &eacute; necess&aacute;rio reconhecer que o aumento da d&iacute;vida p&uacute;blica n&atilde;o &eacute; a causa da crise econ&ocirc;mica. Suas causas s&atilde;o mais profundas relacionadas &agrave; desregulamenta&ccedil;&atilde;o do setor financeiro e de uma libera&ccedil;&atilde;o das for&ccedil;as de mercado sem precedentes nos anos 1990.<br \/> A incapacidade de refinanciamento de suas d&iacute;vidas obrigou Gr&eacute;cia, Irlanda e Portugal a recorrer a um fundo de estabiliza&ccedil;&atilde;o da Uni&atilde;o Europeia e a se submeter a um programa de ajuste com metas dr&aacute;sticas de redu&ccedil;&atilde;o do d&eacute;ficit p&uacute;blico da chamada Troika (Comiss&atilde;o Europeia, Banco Central Europeu e FMI). As medidas restritivas e a inexist&ecirc;ncia de um programa de incentivos ao crescimento econ&ocirc;mico t&ecirc;m aprofundado a recess&atilde;o dessas economias em um c&iacute;rculo vicioso. No acordo com a Troika &ndash; Memorandum de Entendimento sobre as Condicionalidades da Pol&iacute;tica Econ&ocirc;mica &ndash; os pa&iacute;ses se comprometem a um programa de austeridade e ajuste para &ldquo;consolidar&rdquo; seus or&ccedil;amentos e reduzir o d&eacute;ficit p&uacute;blico e a d&iacute;vida p&uacute;blica &ndash; levando a cortes or&ccedil;ament&aacute;rios sem precedentes, e outras medidas de reestrutura&ccedil;&atilde;o do sistema financeiro, tribut&aacute;rio, arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos etc.<br \/> Estes cortes or&ccedil;ament&aacute;rios atingem os sistemas de sa&uacute;de e a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, contudo de forma muito distinta entre os tr&ecirc;s pa&iacute;ses analisados. Inglaterra, Espanha e Alemanha, alcan&ccedil;aram a universalidade com sistemas de sa&uacute;de com diferente organiza&ccedil;&atilde;o. A Inglaterra &eacute; o exemplo fundante de servi&ccedil;o nacional de sa&uacute;de (NHS) de acesso universal e gratuito para todos os cidad&atilde;os e residentes com financiamento fiscal (83% dos gastos em sa&uacute;de s&atilde;o p&uacute;blicos e correspondem a 8% do PIB).&nbsp; Tem aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria tradicionalmente forte com obrigatoriedade de registro dos cidad&atilde;os junto a um consult&oacute;rio de m&eacute;dico generalista (general practitioners-GP) com fun&ccedil;&atilde;o de porta de entrada e filtro (gatekeeper) para acesso ao especialista, situado em segundo n&iacute;vel, no ambulat&oacute;rio de hospitais, quase todos p&uacute;blicos.<br \/> Na Alemanha a prote&ccedil;&atilde;o social &agrave; sa&uacute;de &eacute; garantida pelo seguro social de doen&ccedil;a (Gesetzliche Krankenversicherung &#8211; GKV) de afilia&ccedil;&atilde;o compuls&oacute;ria, que cobre 90% da popula&ccedil;&atilde;o, e &eacute; financiado solid&aacute;ria e paritariamente por trabalhadores e empregadores, mediante taxas de contribui&ccedil;&otilde;es sociais proporcionais aos sal&aacute;rios (taxa atual de 15,5% sendo 7,3% pagos pelo empregador e 8,2% pelo trabalhador). O financiamento &eacute; tamb&eacute;m predominantemente p&uacute;blico: 77% dos gastos em sa&uacute;de s&atilde;o p&uacute;blicos e correspondem a 8,9% do PIB. Starfield classifica a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria na Alemanha como fraca, pois, ainda que haja tradi&ccedil;&atilde;o na aten&ccedil;&atilde;o por m&eacute;dicos generalistas (Hausarzt) (que correspondem a cerca da metade do total de m&eacute;dicos do setor ambulatorial) e mais da metade dos alem&atilde;es refiram ter um Hausarzt, este profissional n&atilde;o exerce a fun&ccedil;&atilde;o de gatekeeper. O segurado, a cada atendimento, pode escolher qualquer m&eacute;dico credenciado em seu consult&oacute;rio particular, n&atilde;o sendo obrigat&oacute;rio o encaminhamento pelo generalista para consulta com especialistas.<br \/> A Espanha tem um sistema nacional de sa&uacute;de (SNS) de acesso universal e gratuito com financiamento fiscal (74% dos gastos em sa&uacute;de s&atilde;o p&uacute;blicos e correspondem a 7,1% do PIB). Diferente do NHS ingl&ecirc;s, o SNS &eacute; descentralizado para as 17 Comunidades Aut&ocirc;nomas (CCAA, estados) e os servi&ccedil;os sanit&aacute;rios das CCAA est&atilde;o organizados territorialmente em &Aacute;reas e Zonas de Sa&uacute;de. Nestas zonas, se localizam os centros de sa&uacute;de com equipes multiprofissionais constitu&iacute;das por m&eacute;dicos de fam&iacute;lia e comunidade, pediatras e enfermeiros; profissionais assalariados em tempo integral, com fun&ccedil;&atilde;o de porta de entrada e filtro para a aten&ccedil;&atilde;o especializada. Os usu&aacute;rios escolhem um m&eacute;dico de fam&iacute;lia e comunidade do Centro de Sa&uacute;de de sua zona e registram-se na sua lista.Estas diferentes conforma&ccedil;&otilde;es dos sistemas de sa&uacute;de condicionam as medidas restritivas frente &agrave; crise. Al&eacute;m do mais, os tr&ecirc;s pa&iacute;ses, est&atilde;o submetidos a distintas press&otilde;es financeiras. Espanha em recess&atilde;o e juros altos (6,5%) introduziu medidas restritivas e cortes de gastos em sa&uacute;de no valor de 7 bilh&otilde;es de euros. Alemanha com juros baixos e baixo n&iacute;vel de desemprego apresentou em 2012 super&aacute;vits do seguro social e aboliu a taxa de co-pagamento de 10 Euros da aten&ccedil;&atilde;o ambulatorial. Na Inglaterra, o governo liberal conservador aprovou importante reforma do NHS que prev&ecirc; cortes de 20 bilh&otilde;es de libras at&eacute; 2015 com redu&ccedil;&atilde;o da estrutura administrativa com aboli&ccedil;&atilde;o dos primary care trusts e autoridades estrat&eacute;gicas em sa&uacute;de e reorganiza&ccedil;&atilde;o dos general practitioners em clinical comissionig groups (os CCGs) respons&aacute;veis pelo planejamento e compra dos servi&ccedil;os secund&aacute;rios com diversifica&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o assistencial e privatiza&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.<br \/> Na presen&ccedil;a de governos conservadores-liberais nos tr&ecirc;s pa&iacute;ses, tem se intensificado a introdu&ccedil;&atilde;o de mecanismos de mercado e a competi&ccedil;&atilde;o nos sistemas p&uacute;blicos como principal estrat&eacute;gia alardeada na busca de maior efici&ecirc;ncia, o que &eacute; bastante question&aacute;vel.&nbsp; O exemplo dos EUA traz evid&ecirc;ncias fortes de como um sistema de mercado incorre em mais altos gastos e produz desigualdades.&nbsp;<br \/> Com os programas de ajuste, a universalidade, nos 3 pa&iacute;ses ainda que permane&ccedil;a quase inalterada, &eacute; tensionada com restri&ccedil;&otilde;es de acesso a n&atilde;o nacionais, eleva&ccedil;&atilde;o de copagamentos e amplia&ccedil;&atilde;o das brechas de equidade.<br \/> &nbsp;<br \/> <strong>Com a crise europeia quais s&atilde;o as principais dificuldades da Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria?<\/strong><br \/> As dificuldades s&atilde;o diferenciadas a depender da press&atilde;o da crise e da estrutura&ccedil;&atilde;o dos sistemas p&uacute;blicos de sa&uacute;de. Sem d&uacute;vida &eacute; na Espanha que se observam os efeitos delet&eacute;rios mais imediatos. O Real Decreto Ley 16\/2012, de 20 de abril, estabeleceu cortes no or&ccedil;amento do SNS. Introduziu co-pagamentos de medicamentos para aposentados, at&eacute; ent&atilde;o isentos, e introduziu co-pagamento para transporte sanit&aacute;rio, entre outros, al&eacute;m de excluir medicamentos para sintomas menores como anti-t&eacute;rmicos, o que certamente afeta a continuidade dos tratamentos e a resolutividade da APS. Um levantamento da sociedade espanhola de m&eacute;dicos de fam&iacute;lia e comunidade identificou em diversas comunidades aut&ocirc;nomas a redu&ccedil;&atilde;o de pessoal, com n&atilde;o preenchimento de postos vacantes, fechamento de unidades (principalmente os consult&oacute;rios isolados), redu&ccedil;&atilde;o de hor&aacute;rios de funcionamento, descontinuidades do abastecimento de insumos; redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios. As medidas privatizantes dos governos conservadores das CCAA atingem tamb&eacute;m em parte a APS: controle dos centros de sa&uacute;de (CS) pelas empresas privadas que gerenciam hospitais (Valencia, Castilla-La Mancha); ou, por exemplo, a recente proposta de transfer&ecirc;ncias de 10% dos CS (40) a entidades associativas, ou cooperativas de profissionais de sa&uacute;de em Madri. Na Inglaterra, os cortes or&ccedil;ament&aacute;rios do Health and Social Care Act 2012 afetam a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria ao reduzir drasticamente sua estrutura gerencial, terceiriza a fun&ccedil;&atilde;o de comissionamento e obrigam a que os pr&oacute;prios m&eacute;dicos de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria racionalizem (ou racionem?) a aten&ccedil;&atilde;o prestada. A reforma pressiona GPs, afetando suas decis&otilde;es cl&iacute;nicas pois estas mais e mais passam a ser condicionadas por restri&ccedil;&otilde;es financeiras.<br \/> As medidas recentes dos governos conservadores t&ecirc;m como objetivo maior cortar gastos e quando muito, apenas secundariamente, o alcance de maior efici&ecirc;ncia. Assim as reconhecidas vantagens de maior efici&ecirc;ncia e qualidade da APS s&atilde;o pouco consideradas nestes programas de ajuste. &Eacute; interessante que no caso de Portugal o Memorandum do acordo com a Troika mencione especificamente a import&acirc;ncia em ampliar as Unidades de Sa&uacute;de Familiar, dadas as evid&ecirc;ncias de maior qualidade e efici&ecirc;ncia de seu modelo de aten&ccedil;&atilde;o; contudo ainda que mencionada, esta medida n&atilde;o foi implementada.<br \/> As medidas restritivas dos programas de ajuste, sem d&uacute;vida afetam o acesso e aumentam iniquidades, mas devemos lembrar que s&atilde;o pa&iacute;ses com sistemas de sa&uacute;de universais, predominantemente p&uacute;blicos, de qualidade, com elevados gastos em sa&uacute;de e indicadores excelentes: mortalidade infantil menor de 4 (6 na Inglaterra) esperan&ccedil;a de vida maior de 80 anos.<br \/> &nbsp;<br \/> <strong>Como integrante do comit&ecirc; coordenador&nbsp; e condutora da reuni&atilde;o da&nbsp; Rede que teve como pauta uma agenda estrat&eacute;gica de trabalho o que voc&ecirc; julga importante fazer para fortalecer a Rede e ampliar as pesquisas em APS?<\/strong><br \/> A reuni&atilde;o foi bastante produtiva na constru&ccedil;&atilde;o de uma agenda estrat&eacute;gica de trabalho para a Rede de Pesquisa em APS. Destaco algumas das iniciativas que discutimos. Em curto prazo h&aacute; que se investir em um trabalho cooperativo entre as institui&ccedil;&otilde;es integrantes da Rede de Pesquisa em APS, que participaram do campo, para an&aacute;lise aprofundada e difus&atilde;o dos resultados dos inqu&eacute;ritos PMAQ-AB, em parceria do DAB. A realiza&ccedil;&atilde;o do campo do PMAQ-AB foi uma experi&ecirc;ncia de parceria entre a Rede e o DAB, de coopera&ccedil;&atilde;o entre pesquisadores e gestores da pol&iacute;tica de AB, muito exitosa.&nbsp;<br \/> Em m&eacute;dio prazo dever&iacute;amos trabalhar a constru&ccedil;&atilde;o de uma agenda estrat&eacute;gica de pesquisa, espec&iacute;fica em APS, complementando a agenda de pesquisa nacional, com ampla participa&ccedil;&atilde;o por meio de diversas modalidades de consulta e f&oacute;runs. E desenvolver estrat&eacute;gias de advocacy para ampliar o financiamento da pesquisa em APS, que deve incluir diversas modalidades e &acirc;mbitos, desde o incentivo &agrave; pesquisa em servi&ccedil;o realizada pelos pr&oacute;prios profissionais da APS at&eacute; a pesquisa realizada em institutos e universidades. Ainda que a APS seja frequentemente reiterada como prioridade, o financiamento para a pesquisa em APS &eacute; irris&oacute;rio comparativamente com outras &aacute;reas da sa&uacute;de. Devemos pleitear junto ao DAB, SAS, SCTIE, DECIT o lan&ccedil;amento de editais espec&iacute;ficos de financiamento da pesquisa em APS. E, como proposto na reuni&atilde;o, advogar tamb&eacute;m pela realiza&ccedil;&atilde;o de um pr&oacute;ximo edital PPSUS com foco da APS nas redes regionalizadas; e de um grande estudo longitudinal em APS que permita apresentar evid&ecirc;ncias robustas sobre resultados das modalidades de aten&ccedil;&atilde;o em APS.<br \/> &nbsp;<br \/> <strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1344\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/a-atencao-primaria-segundo-ligia-giovanella\/1345\/attachment-capa-do-livro2_1-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/capa do livro2_1.jpg\" data-orig-size=\"250,304\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"capa do livro2_1.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/capa do livro2_1-247x300.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/capa do livro2_1.jpg\" class=\" alignright size-full wp-image-1344\" align=\"right\" alt=\"capa do livro2_1.jpg\" height=\"304\" hspace=\"5\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/capa%20do%20livro2_1.jpg\" vspace=\"5\" width=\"250\" \/>No dia 16, voc&ecirc;, em companhia com outros autores, lan&ccedil;ou o livro Pol&iacute;ticas e Sistema de Sa&uacute;de no Brasil que faz uma an&aacute;lise cr&iacute;tica sobre o sistema de sa&uacute;de brasileiro. Como &eacute; ser militante na defesa do direito universal &agrave; sa&uacute;de no Brasil?<\/strong><br \/> Ser militante na defesa do direito universal &agrave; sa&uacute;de no Brasil &eacute; uma tarefa para a vida toda. Cada qual pode contribuir desde seu campo de atua&ccedil;&atilde;o. A organiza&ccedil;&atilde;o do livro Pol&iacute;ticas e Sistema de Sa&uacute;de no Brasil, agora em segunda edi&ccedil;&atilde;o revista e ampliada, em parceria com Sarah Escorel, Lenaura Lobato Jos&eacute; Noronha e Antonio Ivo de Carvalho, em co-edi&ccedil;&atilde;o Cebes e Editora Fiocruz &eacute; uma das nossas contribui&ccedil;&otilde;es. &Eacute; um livro de refer&ecirc;ncia com abordagem did&aacute;tica dirigido a estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o e p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em que a defesa da garantia do direito universal &agrave; sa&uacute;de e da redu&ccedil;&atilde;o das profundas desigualdades sociais em sa&uacute;de em nosso pa&iacute;s, orienta a abordagem dos diversos cap&iacute;tulos. Assim buscamos em conjunto com nossos mais de 50 autores contribuir para a forma&ccedil;&atilde;o de uma consci&ecirc;ncia cr&iacute;tica, militante na defesa do direito universal &agrave; sa&uacute;de.<br \/> &nbsp;<br \/> <strong>Como &eacute; a experi&ecirc;ncia de ser uma pesquisadora brasileira na Alemanha?<\/strong><br \/> &Eacute; sempre uma experi&ecirc;ncia desafiadora pelas diferen&ccedil;as culturais, ademais do idioma.&nbsp; No contexto atual tem sido muito interessante poder acompanhar de perto o desenrolar dos debates sobre a crise econ&ocirc;mica atual e tamb&eacute;m os movimentos sociais que se organizam na luta pela preserva&ccedil;&atilde;o de seus direitos j&aacute; garantidos.<br \/> &nbsp;<br \/> <strong>Voc&ecirc; &eacute; refer&ecirc;ncia intelectual para a maioria dos profissionais que trabalham e estudam a aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria no Brasil. Quais os principais desafios j&aacute; vividos pela &aacute;rea e quais os maiores avan&ccedil;os da sa&uacute;de brasileira?<\/strong><br \/> Antes de tudo agrade&ccedil;o o cumprimento! A cria&ccedil;&atilde;o do SUS como dizia Arouca faz parte de nosso processo civilizat&oacute;rio, &eacute; uma conquista da nossa democratiza&ccedil;&atilde;o. Com o SUS, ampliamos acesso e garantimos direitos a cidad&atilde;os at&eacute; ent&atilde;o exclu&iacute;dos, contudo falta muito para tornar realidade um sistema p&uacute;blico universal de qualidade. O financiamento p&uacute;blico em sa&uacute;de no Brasil &eacute; muito baixo. Corresponde a menos da metade dos gastos totais em sa&uacute;de no pa&iacute;s e a apenas 3,7% do PIB. Sistemas europeus que alcan&ccedil;aram a universalidade tem gastos predominantemente p&uacute;blicos, como visto nos exemplos de nossa pesquisa, que correspondem a 7 ou 8% de seu PIB. Nos falta, portanto, no m&iacute;nimo dobrar os nossos gastos p&uacute;blicos em sa&uacute;de, a riqueza de nosso pa&iacute;s nos permite.<br \/> Na aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; sa&uacute;de tivemos avan&ccedil;os enormes nos &uacute;ltimos anos com a implementa&ccedil;&atilde;o sustentada da Estrat&eacute;gia Sa&uacute;de da Fam&iacute;lia, mas a forma&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos generalistas, m&eacute;dicos de aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria, &eacute; incipiente. Na Espanha, por exemplo, a forma&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos de fam&iacute;lia e comunidade antecedeu a reforma de APS e foi por eles impulsionada. &Eacute; necess&aacute;rio acelerar e ampliar as diversas iniciativas de forma&ccedil;&atilde;o em curso. Est&atilde;o sendo criadas novas faculdades p&uacute;blicas de medicina, por exemplo, na Bahia. Seria necess&aacute;rio aproveitar esta oportunidade para criar departamentos fortes de medicina de fam&iacute;lia e comunidade nestas faculdades e direcion&aacute;-las &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos generalistas. Intensificar os interc&acirc;mbios com os m&eacute;dicos generalistas de Portugal e Espanha poderia contribuir para a valoriza&ccedil;&atilde;o desta carreira.&nbsp; A orienta&ccedil;&atilde;o comunit&aacute;ria da ESF &eacute; uma caracter&iacute;stica muito positiva que deve tamb&eacute;m ser incentivada com a renova&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica do diagn&oacute;stico comunit&aacute;rio e do desenvolvimento participativo de estrat&eacute;gias de interven&ccedil;&atilde;o, com amplia&ccedil;&atilde;o da forma&ccedil;&atilde;o dos ACS como agentes de sa&uacute;de coletiva e o estabelecimento de parcerias efetivas com outros setores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas em cada territ&oacute;rio.&nbsp;&nbsp; Sem deixar de mencionar os desafios que permanecem na contrata&ccedil;&atilde;o dos prestadores privados, na constru&ccedil;&atilde;o das redes regionalizadas e do acesso aos servi&ccedil;os secund&aacute;rios onde o predom&iacute;nio de presta&ccedil;&atilde;o privada deixa muitos gestores municipais &agrave; merc&ecirc;, ref&eacute;ns, de um &uacute;nico prestador que exige maiores pre&ccedil;os e ademais cobra por fora, como denunciou uma representante dos usu&aacute;rios na abertura do congresso da Abrasco. Mas como digo sempre para meus alunos, a luta contra as desigualdades e injusti&ccedil;a social &eacute; secular. Mobilizou trabalhadores nos s&eacute;culos XIX e XX que conquistaram direitos, e mostraram possibilidades de sociedades menos injustas. Hoje os movimentos sociais europeus se mobilizam por sua preserva&ccedil;&atilde;o, e, n&oacute;s na Am&eacute;rica do Sul, em contexto democr&aacute;tico e de governos um pouco mais &agrave; esquerda avan&ccedil;amos lentamente na redu&ccedil;&atilde;o da pobreza e exclus&atilde;o.<\/p>\n<p> <strong>Fonte: Portal da Rede de Pesquisa em Aten&ccedil;&atilde;o prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de: <a href=\"http:\/\/www.rededepesquisaaps.org.br\/\">http:\/\/www.rededepesquisaaps.org.br\/<\/a><\/strong><br \/> <a href=\"http:\/\/www.rededepesquisaaps.org.br\/\">&nbsp;<\/a><br \/> &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p><img decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-1343\" alt=\"ligia_Giovanella.jpg\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/12\/ligia_Giovanella.jpg\" style=\"margin: 5px; float: left; width: 140px; height: 186px;\" width=\"146\" height=\"194\" \/>A entrevista do m&ecirc;s do portal da Rede de Pesquisa em Aten&ccedil;&atilde;o Prim&aacute;ria &agrave; Sa&uacute;de &eacute; com a pesquisadora do Nupes\/ DAPS\/ Ensp\/ Fiocruz, Ligia Giovanella. Nesta edi&ccedil;&atilde;o, o BoletIN reproduz a entrevista com L&iacute;gia, que atualmente &eacute; docente permanente do Programa de P&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em Sa&uacute;de P&uacute;blica da ENSP e realiza est&aacute;gio s&ecirc;nior na Hochschule Fulda, Fachbereich Pflege und Gesundheit (Departamento de Ci&ecirc;ncias da Sa&uacute;de e da Enfermagem),&nbsp; Alemanha, com apoio da Capes. 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