{"id":1244,"date":"2012-10-26T18:37:31","date_gmt":"2012-10-26T20:37:31","guid":{"rendered":"http:\/\/lappis.org.br\/site\/2012\/10\/26\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/"},"modified":"2012-10-26T18:37:31","modified_gmt":"2012-10-26T20:37:31","slug":"decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244","title":{"rendered":"\u201cDecretem nossa extin\u00e7\u00e3o e nos enterrem aqui\u201d"},"content":{"rendered":"<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1239\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244\/attachment-guarani_kaiowa_2-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_2.jpg\" data-orig-size=\"281,179\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"guarani_kaiowa_2.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_2.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_2.jpg\" class=\" alignleft size-full wp-image-1239\" alt=\"guarani_kaiowa_2.jpg\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_2.jpg\" style=\"margin: 5px; float: left; width: 180px; height: 115px; \" width=\"281\" height=\"179\" \/>O <strong>BoletIN<\/strong> reproduz artigo da jornalista Eliane Brum, publicado esta semana no <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Sociedade\/eliane-brum\/noticia\/2012\/10\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui.html\">site da Revista &Eacute;poca<\/a>, sobre a declara&ccedil;&atilde;o de suic&iacute;dio coletivo feita por um grupo de Guarani-Kaiow&aacute;. Em texto l&uacute;cido, a jornalista diz que o epis&oacute;dio demonstra a incompet&ecirc;ncia do Estado brasileiro para cumprir a Constitui&ccedil;&atilde;o e mostra que, por a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o, somos todos c&uacute;mplices de genoc&iacute;dio. No &uacute;ltimo par&aacute;grafo, nos deixa uma quest&atilde;o: afinal, para n&oacute;s, o que significa a palavra? &nbsp;<\/p>\n<p> As fotos que ilustram este texto s&atilde;o do filme &ldquo;&Agrave; sombra de um del&iacute;rio verde&rdquo;, que voc&ecirc; pode assistir na <a href=\"http:\/\/www.lappis.org.br\/site\/\">p&aacute;gina principal do site do Lappis.<\/a><\/p>\n<p> <strong>&ldquo;Decretem nossa extin&ccedil;&atilde;o e nos enterrem aqui&rdquo;<\/strong><br \/> <strong>Por Eliane Brum*<\/strong><\/p>\n<p> &#8211; Pedimos ao Governo e &agrave; Justi&ccedil;a Federal para n&atilde;o decretar a ordem de despejo\/expuls&atilde;o, mas decretar nossa morte coletiva e enterrar n&oacute;s todos aqui. Pedimos, de uma vez por todas, para decretar nossa extin&ccedil;&atilde;o\/dizima&ccedil;&atilde;o total, al&eacute;m de enviar v&aacute;rios tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar nossos corpos. Este &eacute; o nosso pedido aos ju&iacute;zes federais.<\/p>\n<p> O trecho pertence &agrave; carta de um grupo de 170 ind&iacute;genas que vivem &agrave; beira de um rio no munic&iacute;pio de Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, cercados por pistoleiros. As palavras foram ditadas em 8 de outubro ao conselho Aty Guasu (assembleia dos Guaranis Caiov&aacute;s), ap&oacute;s receberem a not&iacute;cia de que a Justi&ccedil;a Federal decretou sua expuls&atilde;o da terra. S&atilde;o 50 homens, 50 mulheres e 70 crian&ccedil;as. Decidiram ficar. E morrer como ato de resist&ecirc;ncia &ndash; morrer com tudo o que s&atilde;o, na terra que lhes pertence.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1240\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/guarani-kaiowa-governo-suspende-liminar-mas-a-luta-continua\/1252\/attachment-guarani_kaiowa4-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa4.jpg\" data-orig-size=\"207,131\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"guarani_kaiowa4.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa4.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa4.jpg\" class=\" alignright size-full wp-image-1240\" align=\"right\" alt=\"guarani_kaiowa4.jpg\" height=\"131\" hspace=\"5\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa4.jpg\" vspace=\"5\" width=\"207\" \/>H&aacute; cartas, como a de Pero Vaz de Caminha, de 1&ordm; de maio de 1500, que s&atilde;o documentos de funda&ccedil;&atilde;o do Brasil: fundam uma na&ccedil;&atilde;o, ainda sequer imaginada, a partir do olhar estrangeiro do colonizador sobre a terra e sobre os habitantes que nela vivem. E h&aacute; cartas, como a dos Guaranis Caiov&aacute;s, escritas mais de 500 anos depois, que s&atilde;o documentos de fal&ecirc;ncia. N&atilde;o s&oacute; no sentido da incapacidade do Estado-na&ccedil;&atilde;o constitu&iacute;do nos &uacute;ltimos s&eacute;culos de cumprir a lei estabelecida na Constitui&ccedil;&atilde;o hoje em vigor, mas tamb&eacute;m dos princ&iacute;pios mais elementares que forjaram nosso ideal de humanidade na forma&ccedil;&atilde;o do que se convencionou chamar de &ldquo;o povo brasileiro&rdquo;. A partir da carta dos Guaranis Caiov&aacute;s, tornamo-nos c&uacute;mplices de genoc&iacute;dio. Sempre fomos, mas tornar-se &eacute; saber que se &eacute;.<\/p>\n<p> Os Guaranis Caiov&aacute;s avisam-nos por carta que, depois de tantas d&eacute;cadas de luta para viver, descobriram que agora s&oacute; lhes resta morrer. Avisam a todos n&oacute;s que morrer&atilde;o como viveram: coletivamente, conjugados no plural.<\/p>\n<p> Nos trechos mais pungentes de sua carta de morte, os ind&iacute;genas afirmam:<\/p>\n<p> &#8211; Queremos deixar evidente ao Governo e &agrave; Justi&ccedil;a Federal que, por fim, j&aacute; perdemos a esperan&ccedil;a de sobreviver dignamente e sem viol&ecirc;ncia em nosso territ&oacute;rio antigo. N&atilde;o acreditamos mais na Justi&ccedil;a Brasileira. A quem vamos denunciar as viol&ecirc;ncias praticadas contra nossas vidas? Para qual Justi&ccedil;a do Brasil? Se a pr&oacute;pria Justi&ccedil;a Federal est&aacute; gerando e alimentando viol&ecirc;ncias contra n&oacute;s. N&oacute;s j&aacute; avaliamos a nossa situa&ccedil;&atilde;o atual e conclu&iacute;mos que vamos morrer todos, mesmo, em pouco tempo. N&atilde;o temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy, onde j&aacute; ocorreram 4 mortes, sendo que 2 morreram por meio de suic&iacute;dio, 2 em decorr&ecirc;ncia de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas. Moramos na margem deste rio Hovy h&aacute; mais de um ano. Estamos sem assist&ecirc;ncia nenhuma, isolados, cercados de pistoleiros e resistimos at&eacute; hoje. Comemos comida uma vez por dia. Tudo isso passamos dia a dia para recuperar o nosso territ&oacute;rio antigo Pyleito Kue\/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso territ&oacute;rio antigo est&atilde;o enterrados v&aacute;rios de nossos av&ocirc;s e av&oacute;s, bisav&ocirc;s e bisav&oacute;s, ali est&aacute; o cemit&eacute;rios de todos os nossos antepassados. Cientes desse fato hist&oacute;rico, n&oacute;s j&aacute; vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje. (&hellip;) N&atilde;o temos outra op&ccedil;&atilde;o, esta &eacute; a nossa &uacute;ltima decis&atilde;o un&acirc;nime diante do despacho da Justi&ccedil;a Federal de Navirai-MS.<\/p>\n<p> <img decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1241\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244\/attachment-guarani_kaiowa_3-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_3.jpg\" data-orig-size=\"310,163\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"guarani_kaiowa_3.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_3-300x158.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_3.jpg\" class=\" alignleft size-full wp-image-1241\" align=\"left\" alt=\"guarani_kaiowa_3.jpg\" height=\"163\" hspace=\"5\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_3.jpg\" vspace=\"5\" width=\"310\" srcset=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_3.jpg 310w, https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_3-300x158.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 310px) 100vw, 310px\" \/>Como podemos alcan&ccedil;ar o desespero de uma decis&atilde;o de morte coletiva? N&atilde;o podemos. N&atilde;o sabemos o que &eacute; isso. Mas podemos conhecer quem morreu, morre e vai morrer por nossa a&ccedil;&atilde;o &ndash; ou ina&ccedil;&atilde;o. E, assim, pelo menos aproximar nossos mundos, que at&eacute; hoje t&ecirc;m na viol&ecirc;ncia sua principal intersec&ccedil;&atilde;o.<br \/> Desde o &iacute;nicio do s&eacute;culo XX, com mais afinco a partir do Estado Novo (1937-45) de Get&uacute;lio Vargas, iniciou-se a ocupa&ccedil;&atilde;o pelos brancos da terra dos Guaranis Caiov&aacute;s. Os ind&iacute;genas, que sempre viveram l&aacute;, come&ccedil;aram a ser confinados em reservas pelo governo federal, para liberar suas terras para os colonos que chegavam, no que se chamou de &ldquo;A Grande Marcha para o Oeste&rdquo;. A vis&atilde;o era a mesma que at&eacute; hoje persiste no senso comum: &ldquo;terra desocupada&rdquo; ou &ldquo;n&atilde;o h&aacute; ningu&eacute;m l&aacute;, s&oacute; &iacute;ndio&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n<p> Era de gente que se tratava, mas o que se fez na &eacute;poca foi confin&aacute;-los como gado, num espa&ccedil;o de terra pequeno demais para que pudessem viver ao seu modo &ndash; ou, na palavra que &eacute; deles, Teko Por&atilde; (&ldquo;o Bem Viver&rdquo;). Com a chegada dos colonos, os ind&iacute;genas passaram a ter tr&ecirc;s destinos: ou as reservas ou trabalhar nas fazendas como m&atilde;o de obra semiescrava ou se aprofundar na mata. Quem se rebelou foi massacrado. Para os Guaranis Caiov&aacute;s, a terra a qual pertencem &eacute; a terra onde est&atilde;o sepultados seus antepassados. Para eles, a terra n&atilde;o &eacute; uma mercadoria &ndash; a terra &eacute;.<\/p>\n<p> Na ditadura militar, nos anos 60 e 70, a coloniza&ccedil;&atilde;o do Mato Grosso do Sul se intensificou. Um grande n&uacute;mero de sulistas, ga&uacute;chos mais do que todos, migrou para o territ&oacute;rio para ocupar a terra dos &iacute;ndios. Outros despacharam pe&otilde;es e pistoleiros, administrando a matan&ccedil;a de longe, bem acomodados em suas cidades de origem, onde viviam &ndash; e vivem at&eacute; hoje &ndash; como &ldquo;cidad&atilde;os de bem&rdquo;, fingindo que n&atilde;o t&ecirc;m sangue nas m&atilde;os.&nbsp;<\/p>\n<p> Com a redemocratiza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 representou uma mudan&ccedil;a de olhar e uma esperan&ccedil;a de justi&ccedil;a. Os territ&oacute;rios ind&iacute;genas deveriam ser demarcados pelo Estado no prazo de cinco anos. Como sabemos, n&atilde;o foi. O processo de identifica&ccedil;&atilde;o, declara&ccedil;&atilde;o, demarca&ccedil;&atilde;o e homologa&ccedil;&atilde;o das terras ind&iacute;genas tem sido lento, sens&iacute;vel a press&otilde;es dos grandes propriet&aacute;rios de terras e da parcela retr&oacute;grada do agroneg&oacute;cio. E, mesmo naquelas terras que j&aacute; est&atilde;o homologadas, em muitas o governo federal n&atilde;o completou a desintrus&atilde;o &ndash; a retirada daqueles que ocupam a terra, como posseiros e fazendeiros &ndash;, aprofundando os conflitos.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1237\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244\/attachment-guarani_kaiowa_1-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_1.jpg\" data-orig-size=\"301,168\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"guarani_kaiowa_1.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_1-300x167.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_1.jpg\" class=\" alignleft size-full wp-image-1237\" align=\"left\" alt=\"guarani_kaiowa_1.jpg\" height=\"167\" hspace=\"5\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_1.jpg\" vspace=\"5\" width=\"300\" srcset=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_1.jpg 301w, https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_1-300x167.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Nestas &uacute;ltimas d&eacute;cadas testemunhamos o genoc&iacute;dio dos Guaranis Caiov&aacute;s. Em geral, a situa&ccedil;&atilde;o dos ind&iacute;genas brasileiros &eacute; vergonhosa. A dos 43 mil Guaranis Caiov&aacute;s, o segundo grupo mais numeroso do pa&iacute;s, &eacute; considerada a pior de todas. Confinados em reservas como a de Dourados, onde cerca de 14 mil, divididos em 43 grupos familiares, ocupam 3,5 mil hectares, eles encontram-se numa situa&ccedil;&atilde;o de colapso. Sem poder viver segundo a sua cultura, totalmente encurralados, imersos numa natureza degradada, corro&iacute;dos pelo alcoolismo dos adultos e pela subnutri&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, os &iacute;ndices de homic&iacute;dio da reserva s&atilde;o maiores do que em zonas em estado de guerra.&nbsp;<\/p>\n<p> A situa&ccedil;&atilde;o em Dourados &eacute; t&atilde;o aterradora que provocou a seguinte afirma&ccedil;&atilde;o da vice-procuradora-geral da Rep&uacute;blica, Deborah Duprat: &ldquo;A reserva de Dourados &eacute; talvez a maior trag&eacute;dia conhecida da quest&atilde;o ind&iacute;gena em todo o mundo&rdquo;. Segundo um relat&oacute;rio do Conselho Indigenista Mission&aacute;rio (CIMI), que analisou os dados de 2003 a 2010, o &iacute;ndice de assassinatos na Reserva de Dourados &eacute; de 145 para cada 100 mil habitantes &ndash; no Iraque, o &iacute;ndice &eacute; de 93 assassinatos para cada 100 mil. Comparado &agrave; m&eacute;dia brasileira, o &iacute;ndice de homic&iacute;dios da Reserva de Dourados &eacute; 495% maior.&nbsp;<\/p>\n<p> A cada seis dias, um jovem Guarani Caiov&aacute; se suicida. Desde 1980, cerca de 1500 tiraram a pr&oacute;pria vida. A maioria deles enforcou-se num p&eacute; de &aacute;rvore. Entre as v&aacute;rias causas elencadas pelos pesquisadores est&aacute; o fato de que, neste per&iacute;odo da vida, os jovens precisam formar sua fam&iacute;lia e as perspectivas de futuro s&atilde;o ou trabalhar na cana de a&ccedil;&uacute;car ou virar mendigos. O futuro, portanto, &eacute; um n&atilde;o ser aquilo que se &eacute;. Algo que, talvez para muitos deles, seja pior do que a morte.<\/p>\n<p> Um relat&oacute;rio do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de mostrou, neste ano, o que chamou de &ldquo;dados alarmantes, se destacando tanto no cen&aacute;rio nacional quanto internacional&rdquo;. Desde 2000, foram 555 suic&iacute;dios, 98% deles por enforcamento, 70% cometidos por homens, a maioria deles na faixa dos 15 aos 29 anos. No Brasil, o &iacute;ndice de suic&iacute;dios em 2007 foi de 4,7 por 100 mil habitantes. Entre os ind&iacute;genas, no mesmo ano, foi de 65,68 por 100 mil. Em 2008, o &iacute;ndice de suic&iacute;dios entre os Guaranis Caiov&aacute;s chegou a 87,97 por 100 mil, segundo dados oficiais. Os pesquisadores acreditam que os n&uacute;meros devem ser ainda maiores, j&aacute; que parte dos suic&iacute;dios &eacute; escondida pelos grupos familiares por quest&otilde;es culturais.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1242\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244\/attachment-guarani_kaiowa_5-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_5.jpg\" data-orig-size=\"301,168\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"guarani_kaiowa_5.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_5-300x167.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_5.jpg\" class=\" alignleft size-full wp-image-1242\" align=\"left\" alt=\"guarani_kaiowa_5.jpg\" height=\"168\" hspace=\"5\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_5.jpg\" vspace=\"5\" width=\"301\" srcset=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_5.jpg 301w, https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_5-300x167.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/>As lideran&ccedil;as Guaranis Caiov&aacute;s n&atilde;o permaneceram impass&iacute;veis diante deste presente sem futuro. Come&ccedil;aram a se organizar para denunciar o genoc&iacute;dio do seu povo e reivindicar o cumprimento da Constitui&ccedil;&atilde;o. At&eacute; hoje, mais de 20 delas morreram assassinadas por ferirem os interesses privados de fazendeiros da regi&atilde;o, a come&ccedil;ar por Mar&ccedil;al de Souza, em 1983, cujo assassinato ganhou repercuss&atilde;o internacional. Ao mesmo tempo, grupos de Guaranis Caiov&aacute;s abandonaram o confinamento das reservas e passaram a buscar suas tekoh&aacute;, terras originais, na luta pela retomada do territ&oacute;rio e do direito &agrave; vida. Alguns grupos ocuparam fundos de fazendas, outros montaram 30 acampamentos &agrave; beira da estrada, numa situa&ccedil;&atilde;o de absoluta indignidade. Tanto nas reservas quanto fora delas, a desnutri&ccedil;&atilde;o infantil &eacute; avassaladora.<\/p>\n<p> A trajet&oacute;ria dos Guaranis Caiov&aacute;s que anunciaram sua morte coletiva ilustra bem o destino ao qual o Estado brasileiro os condenou. Homens, mulheres e crian&ccedil;as empreenderam um caminho em busca da terra tradicional, localizada &agrave;s margens do Rio Hovy, no munic&iacute;pio de Iguatemi (MS). Acamparam em sua terra no dia 8 de agosto de 2011, nos fundos de fazendas. Em 23 de agosto foram atacados e cercados por pistoleiros, a mando dos fazendeiros. Em um ano, os pistoleiros j&aacute; derrubaram dez vezes a ponte m&oacute;vel feitas por eles para atravessar um rio com 30 metros de largura e tr&ecirc;s de fundura. Em um ano, dois ind&iacute;genas foram torturados e mortos pelos pistoleiros, outros dois se suicidaram.&nbsp;<\/p>\n<p> Em tentativas anteriores de recupera&ccedil;&atilde;o desta mesma terra, os Guaranis Caiov&aacute;s j&aacute; tinham sido espancados e amea&ccedil;ados com armas de fogo. Alguns deles tiveram seus olhos vendados e foram jogados na beira da estrada. Em outra ocasi&atilde;o, mulheres, velhos e crian&ccedil;as tiveram seus bra&ccedil;os e pernas fraturados. O que a Justi&ccedil;a Federal fez? Deferiu uma ordem de despejo. Em nota, a FUNAI (Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio) afirmou que &ldquo;est&aacute; trabalhando para reverter a decis&atilde;o&rdquo;.<br \/> Os Guaranis Caiov&aacute;s est&atilde;o sendo assassinados h&aacute; muito tempo, de todas as formas dispon&iacute;veis, as concretas e as simb&oacute;licas. &ldquo;A impunidade &eacute; a maior agress&atilde;o cometida contra eles&rdquo;, afirma Fl&aacute;vio Machado, coordenador do CIMI no Mato Grosso do Sul. Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, h&aacute; pelo menos duas formas interligadas de viol&ecirc;ncia no processo de recupera&ccedil;&atilde;o da terra tradicional dos ind&iacute;genas: uma privada, das mil&iacute;cias de pistoleiros organizadas pelos fazendeiros; outra do Estado, perpetrada pela Justi&ccedil;a Federal, na qual parte dos ju&iacute;zes, sem qualquer conhecimento da realidade vivida na regi&atilde;o, toma decis&otilde;es que n&atilde;o s&oacute; compactuam com a viol&ecirc;ncia , como a acirram.&nbsp;<\/p>\n<p> &ldquo;Quando os pistoleiros n&atilde;o conseguem consumar os despejos e massacres truculentos dos ind&iacute;genas, os fazendeiros contratam advogados para conseguir a ordem de despejo na Justi&ccedil;a&rdquo;, afirma Egon Heck, indigenista e cientista pol&iacute;tico, num artigo publicado em relat&oacute;rio do CIMI. &ldquo;No momento em que ocorre a ordem de despejo, os agentes policiais agem de modo similar ao dos pistoleiros, visto que utilizam armas pesadas, queimam as ocas, amea&ccedil;am e assustam as crian&ccedil;as, mulheres e idosos.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n<p> Ao fundo, o quadro maior: os sucessivos governos que se alternaram no poder ap&oacute;s a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 foram incompetentes para cumpri-la. Ao final de seus dois mandatos, Lula reconheceu que deixava o governo com essa d&iacute;vida junto ao povo Guarani Caiov&aacute;. Legava a tarefa &agrave; sua sucessora, Dilma Rousseff. Os ind&iacute;genas escreveram, ent&atilde;o, uma carta: &ldquo;Presidente Dilma, a quest&atilde;o das nossas terras j&aacute; era para ter sido resolvida h&aacute; d&eacute;cadas. Mas todos os governos lavaram as m&atilde;os e foram deixando a situa&ccedil;&atilde;o se agravar. Por ultimo, o ex-presidente Lula prometeu, se comprometeu, mas n&atilde;o resolveu. Reconheceu que ficou com essa d&iacute;vida para com nosso povo Guarani Caiov&aacute; e passou a solu&ccedil;&atilde;o para suas m&atilde;os. E n&oacute;s n&atilde;o podemos mais esperar. N&atilde;o nos deixe sofrer e ficar chorando nossos mortos quase todos os dias. N&atilde;o deixe que nossos filhos continuem enchendo as cadeias ou se suicidem por falta de esperan&ccedil;a de futuro (&hellip;) Devolvam nossas condi&ccedil;&otilde;es de vida que s&atilde;o nossos tekoh&aacute;, nossas terras tradicionais. N&atilde;o estamos pedindo nada demais, apenas os nossos direitos que est&atilde;o nas leis do Brasil e internacionais&rdquo;.<\/p>\n<p> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-attachment-id=\"1243\" data-permalink=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244\/attachment-guarani_kaiowa_6-jpg\" data-orig-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_6.jpg\" data-orig-size=\"335,150\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"guarani_kaiowa_6.jpg\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_6-300x134.jpg\" data-large-file=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_6.jpg\" class=\" alignleft size-full wp-image-1243\" align=\"left\" alt=\"guarani_kaiowa_6.jpg\" height=\"134\" hspace=\"5\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_6.jpg\" vspace=\"5\" width=\"300\" srcset=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_6.jpg 335w, https:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_6-300x134.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A declara&ccedil;&atilde;o de morte dos Guaranis Caiov&aacute;s ecoou nas redes sociais na semana passada. Gerou uma como&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o &eacute; a primeira vez que ind&iacute;genas anunciam seu desespero e seu genoc&iacute;dio. Em geral, quase ningu&eacute;m escuta, para al&eacute;m dos mesmos de sempre, e o que era morte anunciada vira morte consumada. Talvez a diferen&ccedil;a desta carta &eacute; o fato de ela ecoar algo que &eacute; repetido nas mais variadas esferas da sociedade brasileira, em ambientes os mais diversos, considerado at&eacute; um coment&aacute;rio espirituoso em certos espa&ccedil;os intelectualizados: a ideia de que a sociedade brasileira estaria melhor sem os &iacute;ndios.<\/p>\n<p> Desqualificar os &iacute;ndios, sua cultura e a situa&ccedil;&atilde;o de indignidade na qual vive boa parte das etnias &eacute; uma piada cl&aacute;ssica em alguns meios, t&atilde;o recorrente que se tornou quase um clich&ecirc;. Para parte da elite escolarizada, apesar do esfor&ccedil;o empreendido pelos antrop&oacute;logos, entre eles L&eacute;vi-Strauss, as culturas ind&iacute;genas ainda s&atilde;o vistas como &ldquo;atrasadas&rdquo;, numa cadeia evolutiva &uacute;nica e inescap&aacute;vel entre a pedra lascada e o Ipad &ndash; e n&atilde;o como uma escolha diversa e um caminho poss&iacute;vel. Assim, essa parcela da elite descarta, em nome da ignor&acirc;ncia, a imensa riqueza contida na linguagem, no conhecimento e nas vis&otilde;es de mundo das 230 etnias ind&iacute;genas que ainda sobrevivem por aqui.<\/p>\n<p> Toda a Hist&oacute;ria do Brasil, a partir da &ldquo;descoberta&rdquo; e da coloniza&ccedil;&atilde;o, &eacute; marcada pelo olhar de que o &iacute;ndio &eacute; um entrave no caminho do &ldquo;progresso&rdquo; ou do &ldquo;desenvolvimento&rdquo;. Entrave desde os prim&oacute;rdios &ndash; primeiro, porque teve a deseleg&acirc;ncia de estar aqui antes dos portugueses; em seguida, porque se rebelava ao ser escravizado pelos invasores europeus. A sociedade brasileira se constituiu com essa ideia e ainda que a pr&oacute;pria sociedade tenha mudado em muitos aspectos, a concep&ccedil;&atilde;o do &iacute;ndio como um entrave persiste. E persiste de forma impressionante, n&atilde;o s&oacute; para uma parte significativa da popula&ccedil;&atilde;o, mas para setores do Estado, tanto no governo atual quanto nas gest&otilde;es passadas.&nbsp;<\/p>\n<p> &nbsp;&ldquo;Entraves&rdquo; precisam ser removidos. E t&ecirc;m sido, de v&aacute;rias maneiras, como a Hist&oacute;ria, a passada e a presente, nos mostra. Talvez essa seja uma das explica&ccedil;&otilde;es poss&iacute;veis para o impacto da carta de morte ter alcan&ccedil;ado um universo maior de pessoas. Desta vez, s&atilde;o os &iacute;ndios que nos dizem algo que pode ser compreendido da seguinte forma: &ldquo;&Eacute; isso o que voc&ecirc;s querem? Nos matar a todos? Ent&atilde;o n&oacute;s decidimos: vamos morrer&rdquo;. Ao devolver o desejo a quem o deseja, o impacto &eacute; grande.&nbsp;<\/p>\n<p> &Eacute; importante lembrar que carta &eacute; palavra. A declara&ccedil;&atilde;o de morte coletiva surge como palavra dita. Por isso precisamos compreender, pelo menos um pouco, o que &eacute; a palavra para os Guaranis Caiov&aacute;s. Em um texto muito bonito, intitulado &Ntilde;e&#39;\u1ebd &ndash; a palavra alma, a antrop&oacute;loga Graciela Chamorro, da Universidade Federal da Grande Dourados, nos d&aacute; algumas pistas:<\/p>\n<p> &ldquo;A palavra &eacute; a unidade mais densa que explica como se trama a vida para os povos chamados guarani e como eles imaginam o transcendente. As experi&ecirc;ncias da vida s&atilde;o experi&ecirc;ncias de palavra. Deus &eacute; palavra. (&#8230;) O nascimento, como o momento em que a palavra se senta ou prov&ecirc; para si um lugar no corpo da crian&ccedil;a. A palavra circula pelo esqueleto humano. Ela &eacute; justamente o que nos mant&eacute;m em p&eacute;, que nos humaniza. (&#8230;) Na cerim&ocirc;nia de nomina&ccedil;&atilde;o, o xam&atilde; revelar&aacute; o nome da crian&ccedil;a, marcando com isso a recep&ccedil;&atilde;o oficial da nova palavra na comunidade. (&#8230;) As crises da vida &ndash; doen&ccedil;as, tristezas, inimizades etc. &ndash; s&atilde;o explicadas como um afastamento da pessoa de sua palavra divinizadora. Por isso, os rezadores e as rezadoras se esfor&ccedil;am para &lsquo;trazer de volta&rsquo;, &lsquo;voltar a sentar&rsquo; a palavra na pessoa, devolvendo-lhe a sa&uacute;de.(&#8230;) Quando a palavra n&atilde;o tem mais lugar ou assento, a pessoa morre e torna-se um devir, um n&atilde;o-ser, uma palavra-que-n&atilde;o-&eacute;-mais. (&#8230;) &Ntilde;e&#39;\u1ebd e ayvu podem ser traduzidos tanto como &lsquo;palavra&rsquo; como por &lsquo;alma&rsquo;, com o mesmo significado de &lsquo;minha palavra sou eu&rsquo; ou &lsquo;minha alma sou eu&rsquo;. (&#8230;) Assim, alma e palavra podem adjetivar-se mutuamente, podendo-se falar em palavra-alma ou alma-palavra, sendo a alma n&atilde;o uma parte, mas a vida como um todo.&rdquo;<\/p>\n<p> A fala, diz o antrop&oacute;logo Spensy Pimentel, pesquisador do Centro de Estudos Amer&iacute;ndios da Universidade de S&atilde;o Paulo, &eacute; a parte mais sublime do ser humano para os Guaranis Caiov&aacute;s. &ldquo;A palavra &eacute; o cerne da resist&ecirc;ncia. Tem uma a&ccedil;&atilde;o no mundo &ndash; &eacute; uma palavra que age. Faz as coisas acontecerem, faz o futuro. O limite entre o discurso e a profecia &eacute; t&ecirc;nue.&rdquo;<\/p>\n<p> Se a carta de Pero Vaz de Caminha marca o nascimento do Brasil pela palavra escrita, &eacute; interessante pensar o que marca a carta dos Guaranis Caiov&aacute;s mais de 500 anos depois. Na carta-fundadora, &eacute; o invasor\/colonizador\/conquistador\/estrangeiro quem estranha e olha para os &iacute;ndios, para sua cultura e para sua terra. Na dos Guaranis Caiov&aacute;s, s&atilde;o os &iacute;ndios que olham para n&oacute;s. O que nos dizem aqueles que nos veem? (Ou o que veem aqueles que nos dizem?)<\/p>\n<p> A declara&ccedil;&atilde;o de morte dos Guaranis Caiov&aacute;s &eacute; &ldquo;palavra que age&rdquo;. Antes que o espasmo de nossa como&ccedil;&atilde;o de sof&aacute; migre para outra trag&eacute;dia, talvez valha a pena uma &uacute;ltima pergunta: para n&oacute;s, o que &eacute; a palavra?<\/p>\n<p> Publicado originalmente em no <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Sociedade\/eliane-brum\/noticia\/2012\/10\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui.html\">site da Revista &Eacute;poca.<\/a><br \/> &nbsp;<br \/> &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-1239\" alt=\"guarani_kaiowa_2.jpg\" src=\"http:\/\/lappis.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/guarani_kaiowa_2.jpg\" style=\"margin: 5px; float: left; width: 180px; height: 115px; \" width=\"281\" height=\"179\" \/>O <strong>BoletIN<\/strong> reproduz artigo da jornalista Eliane Brum, publicado esta semana no <a href=\"http:\/\/revistaepoca.globo.com\/Sociedade\/eliane-brum\/noticia\/2012\/10\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui.html\">site da Revista &Eacute;poca<\/a>, sobre a declara&ccedil;&atilde;o de suic&iacute;dio coletivo feita por um grupo de Guarani-Kaiow&aacute;. Em texto l&uacute;cido, a jornalista diz que o epis&oacute;dio demonstra a incompet&ecirc;ncia do Estado brasileiro para cumprir a Constitui&ccedil;&atilde;o e mostra que, por a&ccedil;&atilde;o ou omiss&atilde;o, somos todos c&uacute;mplices de genoc&iacute;dio. No &uacute;ltimo par&aacute;grafo, nos deixa uma quest&atilde;o: afinal, para n&oacute;s, o que significa a palavra? <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244\" title=\"\u201cDecretem nossa extin\u00e7\u00e3o e nos enterrem aqui\u201d\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":1,"featured_media":1239,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"jetpack_post_was_ever_published":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[462],"class_list":{"0":"post-1244","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticia","8":"tag-eliane-brum-guarani-kaiowa-palavra-artigo"},"jetpack_publicize_connections":[],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.2 - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>\u201cDecretem nossa extin\u00e7\u00e3o e nos enterrem aqui\u201d - Lappis 25 anos<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/lappis.org.br\/site\/decretem-nossa-extincao-e-nos-enterrem-aqui\/1244\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"\u201cDecretem nossa extin\u00e7\u00e3o e nos enterrem aqui\u201d - Lappis 25 anos\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"O BoletIN reproduz artigo da jornalista Eliane Brum, publicado esta semana no site da Revista &Eacute;poca, sobre a declara&ccedil;&atilde;o de suic&iacute;dio coletivo feita por um grupo de Guarani-Kaiow&aacute;. 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